quinta-feira, 7 de março de 2013

Governo de equilibristas

Senado Federal, 04 de março de 2013. O pronunciamento do Senador Cristovam Buarque revela os pontos frágeis da economia brasileira com coragem e independência, mesmo sendo parte da base aliada do governo.

O PIB, que cresceu quase nada, foi graças aos serviços, não foi graças à força do nosso setor produtivo. E, se no setor de indústria, formos olhar aquilo que é mais importante como a indústria de transformação, a indústria química, a petroquímica, caímos 2,5%. Então, per capita, nos caímos quase 2%. Não é possível que o Governo continue dormindo diante disso ou, para superar isso, faça o que chamam por aí de road show: ministro, presidente do Banco Central rodando o mundo tentando convencer que as coisas vão bem.

Então, é um país dependente, é um país que sofre se houver especulação lá fora com a carne, especulação com a soja. Nós somos dependentes das especulações internacionais, porque nós não temos uma estrutura capaz de fazer funcionar bem. Nós temos equilíbrios momentâneos. Eu já insisti aqui: nosso governo é um governo de equilibristas, não é um governo de estadistas. O equilibrista olha passo a passo e consegue ficar em cima da corda, mas ele não consegue construir uma pilastra sobre a qual caminhe com segurança. Estamos nos equilibrando.  

Nosso setor industrial, nosso setor econômico, nossos empresários hoje estão sob a proteção do BNDES e isso é um perigo muito grande para a estabilidade da economia para nossa dinâmica. O que a gente precisa fazer? Uma das coisas é desvincular a economia da campanha e da política do dia a dia. A economia de um país é algo muito maior, não cabe nas manipulações do dia a dia para ganhar votos. Há realidade na economia que exige ser respeitada. Eu creio que o Governo precisa descobrir que o Brasil vai além do mandato do Presidente ou da Presidenta; que vai além de dois mandatos. O Brasil vai além de décadas! E que comecem a colocar, com seriedade, o longo prazo na hora de tomar decisões.
 

Hoje mesmo há uma matéria – ou ontem em um jornal –, falando que o ministério que deveria pensar no futuro é absolutamente irrelevante, que o PMDB já está pensando, inclusive, em entregar esse que deveria ser um ministério importante. Mas quantas vezes o Ministro da Fazenda consultou o Ministro de Assuntos Estratégicos? Quantas vezes? É uma pergunta que faço e não tenho a resposta! Na hora de se tomar decisões sobre reduzir os impostos de automóveis, consultou-se o ministério que cuida do futuro? Na hora de se reduzir a tarifa de energia elétrica, consultou-se o ministério que cuida do futuro, a Secretaria de Assuntos Estratégicos? Está-se precisando pensar no futuro!  

http://www.senado.gov.br/atividade/pronunciamento/detTexto.asp?t=397352
 

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